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O Velho, o termostato e o Passat

Meu nome é Walter Ay e trabalho para MTE-THOMSON há 20 anos.

Olhando no retrovisor da vida, estou na área automobilística há mais de 55 anos. Só na VW trabalhei 30 anos.

“Um amigo meu dizia: Velho gosta de contar histórias” e uma destas histórias gostaria de relatar para vocês e está intimamente ligada à MTE-THOMSON.

Quando com 21 anos entrei na VW, a empresa estava nacionalizando o motor do Fusca e da Kombi. Fui educado e catequizado sob a égide que “ar não ferve, motor tem que ser atrás e a tração também. Suspensão tem que ser por molas de torção e a carroçaria tem que estar sobre um chassi que carrega toda parte mecânica, ou seja, tudo que caracterizava um Fusca.

A Volkswagen da Alemanha tinha desde os anos 1960 um problema de achar um substituto para o Fusca. Todas as tentativas morreram na fase de protótipos ou semanas antes do lançamento em série.

Nos anos 60 a VW da Alemanha comprou a AUTO UNION alemã, visando usar as instalações para fabricação do Fusca, mas ainda fabricava o DKW em pequena quantidade e vocês talvez lembrem que o DKW era todo diferente do Fusca: motor na frente e de dois tempos, refrigerado à água, tração dianteira etc. e assim sendo permaneceu um núcleo de desenvolvimento na Fábrica da Auto Union. No final dos anos 60, a Volkswagen alemã comprou o fabricante de automóveis e motocicletas NSU, detentor da patente do motor de pistões rotativos chamado pelo nome de seu inventor Wankel e que lançara os primeiros veículos com esta tecnologia motriz dentro deles: um veículo de alta classe chamado RO 80. Morreu na praia por causa desta megalomania, fabricante de motocicleta fazer carros de luxo e diante da insolvência iminente foi comprada pela VW e unida a Auto Union criando-se a AUDI AG.

No início dos anos 70, a Volkswagen alemã lançou um carro de classe média herdada da NSU, mas com um motor dianteiro convencional de ciclo OTTO refrigerado à agua e tração dianteira, desenvolvido pelo núcleo de engenheiros da Auto Union. Chamado K70, foi o pioneiro “desta heresia” contra tudo aquilo que a Volkswagen pregava desde 1938.

No mesmo período a AUDI SA desenvolveu em rápidos intervalos os carros AUDI 100, Audi 80 e Audi 50. Nestes anos Rudolph Leiding, que fora anteriormente presidente da Volkswagen do Brasil era presidente da AUDI e logo após se tornaria presidente da Volkswagen mundial. Além de ser grande admirador do Brasil, era um engenheiro automobilístico de habilidade privilegiada tendo sido criador no Brasil da Brasília e do SP, admirava profundamente os engenheiros brasileiros que trabalhavam na Volkswagen do Brasil que a mesma herdara da antiga VEMAG fabricante do DKW no Brasil.

Já presidente da Volkswagen mundial com ajuda do estilista italiano Giugaro, decidiu transformar o AUDI 80 num hatch back e lançá-lo como modelo básico de carro de classe média na Volkswagen em 1973 e resolveu que Volkswagen do Brasil tivesse que lançá-lo no mercado brasileiro um ano depois.

O carro foi batizado com o nome de PASSAT.

Era um desafio para a Volkswagen do Brasil e toda indústria de autopeças brasileira.

Para complicar, criou ao mesmo tempo algo que se chamava fabricação coligada que suplementava as necessidades da fábricas da Alemanha com a produção de motores e câmbios brasileiros e os eixos traseiros dentro desta filosofia eram fabricados no México.

 

Após esta longa introdução, mas desculpam este costume de velho, estava colocado o grande desafio e ao mesmo tempo heresia e que requeria uma troca de cultura tecnológica da gente.

Tudo que tínhamos aprendido como a verdade única repentinamente não mais era mais dogma.

Motor dianteiro e refrigerado a liquido em linha e inclinado 30 graus!

Radiador de alumínio e deslocado do motor arrefecido por ventoinha elétrica!

Suspensão McPHERSON!

Eixos homocinéticos na frente!

Eixo traseiro de torção com estabilizador transversal e molas helicoidais!

Freios a disco com cavalete flutuante!

Carroçaria monobloco, cadê o chassi!

Centralina ao invés de caixa de fusíveis!

Etc, etc……

O motor era refrigerado por um líquido, ou seja, mistura de água com 25 % de líquido anticongelante e isto num país tropical. Bomba de água, termostato e circuito de líquido de arrefecimento de alta pressão para elevar o ponto ebulição além dos 100 °C.

Termostato. O é que isto? Para que serve?

Interruptor térmico mais tarde conhecido como “cebolão” para acionar ventoinha?

Tudo tinha que ser desenvolvido localmente e o objetivo era nacionalizar tudo, fora o eixo traseiro evidentemente, e para tudo tinha que ter dois fabricantes brasileiros.

 

E aí entra a história da MTE -THOMSON!

Sr. Strommer, fundador da MTE, cuja empresa naquela oportunidade já tinha comemorado seu 15º aniversário, ou seja, uma empresa adolescente no vigor da juventude viu uma nova oportunidade: fabricar TERMOSTATOS E INTERRUPTORES TÉRMICOS, mas deu prioridade ao Termostato. A questão era onde obter o know how, o conhecimento técnico para tudo aquilo?

Olhando pelo mundo tinha poucos fabricantes de termostatos e foi achar nos Estados Unidos a STANDARD THOMSON, naquele momento o maior fabricante de termostatos do mundo com uma produção de cerca 15 milhões de termostatos/ano e que estava expandindo mundialmente criando joint ventures por diversos países da Europa e Japão, nada melhor que aderir a esta onda no Brasil em parceria com um fabricante local conceituado e bem estabelecido e fabricar TERMOSTATOS!

Surgiu o nome MTE-THOMSON que hoje, no 60º aniversário é a nossa marca e nome da nossa empresa, mundialmente afamada como fabricante de Termostatos e Interruptores Térmicos além de uma imensa gama de outros produtos para o controle do sistema de arrefecimento e gerenciamento do motor.

Resumindo a partir de do lançamento do PASSAT, a visão de um empresário e um frutífero trabalho com o licenciador surge a nova marca e nome do nosso aniversariante.

 

MTE-THOMSON

Desde daquele ano os termostatos da MTE-THOMSON cruzavam com cada Passat exportado ou vendido no Brasil às estradas do mundo e o fazem hoje em milhões de outros veículos.

E para finalizar mais uma história quase particular:

“Quando eu comecei vender produtos MTE-THOMSON há vinte anos na Europa nós éramos conhecidos como os fabricantes de Termostatos vindos do Brasil com preço competitivo e produto de alta qualidade. Foi o termostato o alicerce do nosso sucesso na Europa, Oriente Médio e África do Sul.“

Desejo a MTE­-THOMSON que também no seu 100º aniversário, ainda produza TERMOSTATOS, pois, mesmo no carro elétrico deverá haver algum agregado para arrefecer e uma válvula para regular.

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